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AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA DAS EMISSÕES DE CO₂EQ NA CONSTRUÇÃO DE INFRAESTRUTURA FERROVIÁRIA

Tipo de Trabalho 

Artigo

Introdução. O modo ferroviário é apresentado como alternativa de baixo carbono para o transporte de cargas e de passageiros, mas a implantação de sua infraestrutura fixa mobiliza grandes volumes de cimento, aço, terraplenagem e energia, gerando um passivo de carbono incorporado que se realiza antes do início da operação. A avaliação do ciclo de vida (ACV) é a metodologia consolidada para quantificar esse passivo, porém sua aplicação ao planejamento ferroviário brasileiro ainda é incipiente. Objetivo. Identificar, classificar e analisar criticamente como metodologias de ACV têm sido aplicadas para quantificar e reduzir emissões de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) na construção de infraestrutura ferroviária e discutir as condições de transferência dessas metodologias para a consolidação do planejamento da infraestrutura ferroviária brasileira. Metodologia. Revisão sistemática reportada com referência à declaração PRISMA 2020. As bases Scopus e Web of Science (All Databases, All Collections) foram consultadas em 21 de abril de 2026 com a mesma expressão booleana. Triagem, avaliação de texto completo e extração foram conduzidas por um revisor. Os estudos elegíveis foram classificados como primários de mitigação ou diagnósticos. Em razão da heterogeneidade metodológica, as evidências foram combinadas por síntese narrativa estruturada e mapa de evidências organizado em oito famílias de estratégias, preservando-se a fronteira, a unidade funcional e a linha de base originais de cada resultado. Resultados. Das 365 referências recuperadas, 254 foram triadas, 37 avaliadas em texto completo e 34 incorporadas à síntese substantiva (21 estudos primários de mitigação e 13 estudos diagnósticos). Cimento, concreto e aço de reforço, túneis e estações subterrâneas, terraplenagem e energia de canteiro constituíram os pontos críticos recorrentes. Dezenove estudos primários relataram ao menos uma redução quantificada, com valores ilustrativos que variaram de cerca de 29% para concreto de dormentes com escória álcali-ativada e de 48% a 51% para peças pré-moldadas de plataforma de menor carbono, a 12,59% para uma estação de metrô pré-fabricada. Nenhum estudo alcançou alta confiança, e as evidências brasileiras identificadas foram exclusivamente diagnósticas. Conclusão. As evidências sustentam a incorporação precoce da ACV ao ciclo de decisão dos projetos ferroviários, com linha de base de carbono definida ainda na fase de planejamento, prioridade à eficiência material antes da substituição de insumos, uso de ligantes e aços de menor carbono, reaproveitamento de material escavado e de demolição, otimização de formas de via e de estruturas e energia de canteiro mais limpa. Percentuais estrangeiros não devem ser transpostos diretamente ao Brasil: o perfil renovável da matriz elétrica, o fator clínquer do cimento nacional e as distâncias e os modos de suprimento específicos de cada projeto podem alterar tanto a magnitude quanto a hierarquia das medidas, o que torna prioritária a construção de fatores de emissão regionais e de estudos de caso brasileiros de escala real.