CORROSÃO EM ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO E PROTENDIDO: MECANISMOS, MODELOS E IMPLICAÇÕES PARA A CONFIABILIDADE ESTRUTURAL DE PONTES
Artigo
A corrosão da armadura é um dos principais mecanismos de deterioração de pontes de concreto armado e protendido, sendo frequentemente representada, em modelos de avaliação estrutural, por uma perda uniforme e simplificada da seção transversal do aço, o que nem sempre corresponde ao comportamento observado em ambientes contaminados por cloretos.
Esta revisão tem como objetivo sintetizar a literatura técnica sobre os mecanismos de corrosão generalizada e por pites em estruturas de concreto, seus modelos de representação e suas implicações para a avaliação da confiabilidade estrutural de pontes. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura, de caráter descritivo, reunindo publicações técnicas e científicas sobre durabilidade de estruturas de concreto, corrosão do aço e confiabilidade estrutural.
A revisão evidencia que a corrosão por pites, associada à ação de cloretos, tem impacto estrutural desproporcionalmente mais severo do que a corrosão generalizada associada à carbonatação, que os dois mecanismos frequentemente coexistem em ambientes reais, e que abordagens de corrosão combinada, aliadas a métodos probabilísticos como a simulação de Monte Carlo, permitem estimativas mais realistas do desempenho estrutural ao longo do tempo.
Conclui-se que modelos simplificados de corrosão uniforme tendem a subestimar o risco estrutural de pontes expostas a ambientes com cloretos, reforçando a relevância de abordagens combinadas e de avaliações de confiabilidade estrutural dependentes do tempo para subsidiar a gestão da infraestrutura existente.